quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ah, mas que coisinha...




Não vou mentir, o post de hoje seria sobre o caos que está no trânsito do Estado da Guanabara, mas assim que, finalmente, cheguei ao engenho, entrando em um dos vários portais de notícias que acesso, percebi que a minha situação nem era tão ruim: Chuva em São Paulo e mais de 100 km de engarrafamento.
Ah, outra coisa que preciso assumir, o primeiro parágrafo foi propositadamente estendido até que o World tivesse uma crise. Normalmente, quando é ultrapassada a quantia de 32 palavras em uma mesma frase, o World acusa marcando tudo de vermelho. No caso do meu primeiro parágrafo, ele marcou tudo de vermelho e logo depois teve uma convulsão tripla mortal carpada “dos Santos” invertida. O Excel deu nota 9,5 para a complexidade da manobra. O meio ponto descontado foi pelo excesso de vermelho.
Enfim, agora que nem posso mais resmungar do trânsito, preciso de outro assunto. Pensei em falar sobre a notícia de que um grupo de matemáticos (olha a vergonha) desenvolveu um cálculo no qual fica comprovado que, caso aconteça um ataque de zumbis, a civilização seria dizimada. Pensei bem, coisa que eles não fizeram ao bolar o estudo, mas desisti. E nem foi pelo nível da estapafúrdia pesquisa. Não! Foi porque um dos responsáveis pelo estudo se chama Robert Smith?. Sim, o ponto de interrogação faz parte do nome do cidadão. Ele alega que é para que seja possível diferenciá-lo do cantor homônimo da banda The Cure. Só não se sabe se o ponto de interrogação é de nascença ou foi colocado depois dele ter sido atacado por um zumbi e o cérebro avariado.
Menos mau que ele optou por ser matemático. Imagine se ele decide ser psiquiatra. Sim, porque andando pelo pátio do hospício ia ser uma confusão com um crachá escrito: “Meu nome é Robert Smith?”. O que ia ter de desavisado falando: “Pobre mente perdida. Nem sabe mais o nome.”.
Mas pensando bem, se no lugar do ponto de interrogação fosse um de exclamação ele talvez tivesse problemas mairoes. Um enfermeiro ao avistar o crachá escrito “Meu nome é Robert Smith!”, decretaria na hora: “Opa, aquele paciente está excitado demais, apliquem uma dose maior de Lexotan nele.”.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Histórias reais inventadas por mim...




Eusébio entrou no banheiro da empresa. Era daqueles com algumas cabines, uns três mictórios e duas pias. Não, estou falando do banheiro, não do Eusébio. Enfim, ele entrou no banheiro e acendeu a luz:

- Valeu!
- Hein?
- Valeu! Obrigado por acender a luz!
- Tem gente aí?
- Estou aqui na cabine!
- Mas no escuro?
- Pois é, alguém entrou no banheiro e quando saiu apagou a luz.
- E por quê não falou algo? Não chamou a pessoa de volta?
- Vergonha.
- Vergonha de quê?
- De que alguém saiba que estou cagando.
- Mas eu estou sabendo. Você falou comigo.
- É mesmo...
- Viu?
- Coisa sem sentido.
- Vai ver foi felicidade em alguém acender a luz.
- Deve ter sido. Apesar de que isto em nada interfere.
- Como assim?
- Você já está sentado mesmo. Que diferença faria? Vai errar o vaso?
- Não... Mas é estranho...
- Estranho?
- É! Tem coisa mais estranha do que cagar no escuro?
- Tem! Cagar conversando com um estranho!
- Então é mais estranho do que se imagina.
- Por quê?
- Porque estou cagando conversando com um estranho que está mijando.
- Ah... Eu não estou mijando!
- Está cagando também?
- Não, só vim enrolar um pouco mesmo.
- Mas no banheiro?
- Normalmente fico na cabine sentado no vaso lendo revista.
- E por quê não está agora?
- Vergonha.
- Vergonha de quê?
- De que alguém pense que estou cagando.
- Mas e antes?
- Antes não tinha pensado nisto, por isto não tinha vergonha.
- E agora? Como vai fazer?
- Sei lá... Você acabou de estragar o meu truque... Muito obrigado mesmo... Tchau!
- Ah, não fiq... Ei! Acende a luz!!!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Profissão: Mentira...




É extremamente fascinante perceber o quanto as pessoas têm vergonha dos seus respectivos empregos e decidem inventar ou sofisticar o cargo. Isto é algo que já notara tem tempo assistindo programas voltados para o público C, D e Z. Sempre que o apresentador perguntava a profissão, o participante falava algo que visivelmente era uma outra coisa maquiada criando a dúvida no ar. Explicarei.
Não sei ao certo qual foi o primeiro caso no qual notei isto, mas lembro de um específico que deve estar entre os mais antigos. Foi no programa do Marcio Garcia. Ele perguntou a profissão da mocinha e ela respondeu que trabalhava na área de saúde. Na hora me veio à cabeça: “Ahá, é técnica de enfermagem! Não, aplica injeção em farmácia! Não, peraí! Trabalha medindo a pressão das pessoas na calçada por R$ 1,00!”.
Confesso que fiquei orgulhoso de mim mesmo. Ora, era a primeira vez que notava a minha capacidade de decodificar “profissões camufladas”. Depois deste dia tudo foi diferente. Não tem um momento sequer que uma pessoa fale o emprego e na hora desvende sua real profissão.
- E aí, cara? Está trabalhando?
- Pô, trabalhando muito.
- E trabalhando com o quê?
- Trabalho com divulgação.
- Panfleteiro?
- Não!
- Homem-Sanduíche (se não sabe o que é, vai pesquisar)!
- Não!
- Já sei! Trabalha pendurado em Kombi falando o itinerário!
- É, mais ou menos...
Não dava outra. Ninguém mais era capaz de esconder a profissão da qual tanto sentia vergonha. Poderia até precisar de três chances, mas na maior parte das vezes acertava de primeira mesmo.
- Ainda está trabalhando naquela loja do shopping?
- Não! Abri meu próprio negócio no ramo de fast-food.
- Sei. Vende sanduíches e quentinhas para os lojistas do mesmo shopping.
- É, isso...
Mesmo achando que sua capacidade de incrementar a profissão seja fenomenal, nada pode ser escondido de tamanho poder celestial. Até o improvável fica claro para mim.
- Poxa cara, não vai dar. Trabalhei muito esta semana. Estou morto.
- Poxa, que chato. E está trabalhando com o quê?
- Trabalho com propaganda e publicidade.
- E não é a mesma coisa?
- Acho que não...
- E o que faz?
- Meu cargo basicamente é reforçar a marca dos meus clientes na praça.
- Ok... Você que cola os outdoors pelas ruas...
- É... Isso...
O interessante é pensar como este poder chegou até a mim. Alguns heróis surgiram após picadas de aranhas radioativas, experimentos genéticos, fusão com seres alienígenas. Acho que sou o único ser poderoso cujo poder veio de uma experiência traumática. Foi mais ou menos assim:
Teve uma época em que trabalhava em uma empresa de cartão de crédito no setor de sigilo de dados, com isto, precisava trabalhar aos sábados. Só que nestes dias especificamente a coisa era meio informal. Tanto que ia de bermudas, tênis e, na maioria das vezes, camisas com as mangas cortadas.
Certa vez, trajando algo mais ou menos neste estilo (se isto é realmente estilo), pedi uma pizza. Após buscá-la na recepção, dirigi-me ao refeitório. Entrando no recinto, com a caixa de pizza na mão, deparei-me com uma moça que ao me ver arregalou os olhos de felicidade:
- Ah, que bom. Você meio colocar café na máquina. Estou precisando de um urgentemente.
- Ahn???
- Ué, você não é da manutenção?
- Não!
- Ai, desculpe. Agora que vi nas suas mãos. Você veio apenas entregar a pizza.
- Não! Eu sou do setor de segurança!
- Ah, tá! Você está na hora de almoço.
- Isso.
- E como iria adivinhar que é porteiro sem a farda?